Desafios do Turismo Religioso

Fernando Baptista é Gestor em Turismo, Analista de Negócios em Turismo, Guia de Turismo, Graduando em Gestão Publica e Pós Graduado em Educação Ambiental e Sustentabilidade.

Conselheiro no Conselho Estadual de Turismo pelo SINDEGTUR/RJ onde atualmente ocupa o cargo de presidente.

 

 

No segmento do turismo cultural, temos uma ramificação que contempla o turismo religioso. Este se baseia nas viagens ou excursões onde o destino final tem caráter religioso (Pode ser uma festa, uma data, um templo ou simplesmente um destino).

Neste quesito temos as grandes festas do Ciro de Nazaré e de Nossa Senhora Aparecida, entre tantas outras em nosso Pais. Nestes dias as cidades ficam com uma receptividade de turistas (que apartir de agora será denominado “Romeiro”) acima na capacidade de carga destes destinos, deixando muitas vezes uma mensagem ruim ao Visitante. Porém toda a cadeia produtiva do turismo fica satisfeita com os negócios proporcionados nestas datas.

Agora, temos a pergunta a ser respondida:

Como transformar o turismo religioso em um negócio sustentável e produtivo em todos os municípios do nosso estado do Rio de Janeiro? Em nosso estado, cada município tem uma potencialidade para o Turismo Religioso. Por menor que seja a cidade, ela possui um atrativo religioso em seu território.

Muitas vezes não valorizado pela população residente e lembrado normalmente por ser feriado na cidade. Por outro lado a gestão publica, por muitas vezes, não aproveita este equipamento para promover visitas de romeiros em sua cidade, provendo a cadeia produtiva do turismo com clientes em potencial.

Existe também o caso onde, a gestão publica possui o destino religioso produz a publicidade sobre ele, divulga em feiras regionais, nacionais e em até feiras internacionais e não cosegue atrair o publico desejado sem o retorno do investimento realizado.

E que pode estar errado nesta abordagem?

Na verdade, o que pode estar errado é para quem que se esta vendendo o destino turístico religioso. Propaganda para grandes agências e operadoras sobre uma capela barroca situada no município de Itaperuna-Rj, onde Dom Pedro II assistiu uma missa em sua viagem terá um retorno de publico quase Zero (estou considerando a possibilidade de uma venda isolada durante um ano de propaganda).

Nem vou mencionar para agencias e operadoras internacionais.
Seguindo esta linha, o gestor público deve iniciar seu projeto identificando em sua cidade qual a potencialidade de seus atrativos religiosos. Um munícipe integrado em seus atrativos será um vendedor nato de sua cidade. (primeiro circulo do poder)

Após identificar sua potencialidade e capacitar seu munícipe, começa a leitura do segundo circulo do poder: Como posso atrair meus vizinhos para visitar meus atrativos?

O público-alvo imediato são os guias de turismo e as agencias de pequeno porte, que poderá conhecer os atrativos e comercializa-los dentro de cada rede de negócios.

Assim começa a efetiva realização dos roteiros religiosos no município, diminuindo a sazonalidade e consolidado os equipamentos do trade de cada município receptivo, permitindo não só a contratação perene de funcionários como o alimento da prestação de serviço local.

Uma vez consolidado a segunda fase, o gestor publico começa a planejar o aumento da capacidade de carga e o aumento do receptivo de romeiros de todo o estado, inclusive de outros estados limítrofes.

Seguindo estes passos podemos consolidar o turismo religioso em nosso interior e identificar potencialidades para voos maiores, buscando inclusive cidades co-irmães em roteiros de peregrinação, vislumbrando outro perfil de romeiro: O PEREGRINO.

Finalizo este artigo, indicando que não devemos seguir vendas tradicionais de pacotes turísticos, bem como utilizarmos um trade generalista.

Devemos buscar quem realmente, dia a dia, trabalha como o publico alvo desejado e apesar de pensar globalmente, devemos realizar ações locais e proporcionar um crescimento real em cada potencial turístico religioso, assim evitamos decepções e falhas do passado.

O turismo não é uma varinha de condão onde tudo se resolve. Necessita de trabalho e integração entre os entes públicos e privados e o aceite da população local que deve participar de forma integral nesta construção.

O Turismo no Estado do Rio de Janeiro não será o petróleo do passado, será o diamante do futuro. ÚNICO E VALIOSO.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *