Depois de meses vivendo em unidades de acolhimento, Priscila de Melo, de 42 anos, e o filho Adriano Álvaro Melo, de 10, conhecido como Alvinho, começaram a traçar os próximos passos para reconstruir a vida. Mãe e filho, que perderam a casa e estão em situação de acolhimento desde o início do ano, receberam cerca de R$ 85,5 mil em doações, além de diferentes ofertas de ajuda.
Entre as prioridades está o retorno a Cabo Frio. A intenção de Priscila é garantir que Alvinho consiga retomar os estudos e concluir o ano letivo na escola particular onde havia conquistado uma bolsa integral no início do ano. O menino já estava adaptado à instituição, aos professores e aos colegas quando precisou interromper a rotina escolar.
A mudança ocorreu depois que Priscila precisou retornar ao Rio de Janeiro para dar continuidade a um tratamento de saúde na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Diagnosticada com tuberculose resistente a medicamentos, ela teve que permanecer na capital para receber acompanhamento. Com isso, a rotina que mãe e filho começavam a estabelecer em Cabo Frio foi interrompida.
A bolsa de estudos de Alvinho havia sido conseguida com a intermediação da direção de uma casa de atendimento temporário e emergencial voltada a pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social. Na época, mãe e filho estavam acolhidos no município e a matrícula representou uma oportunidade para que o menino mantivesse a rotina escolar enquanto a família buscava reorganizar a própria vida.
Agora, Priscila tenta recuperar essa estabilidade. Segundo ela, um dos principais motivos para retornar a Cabo Frio é evitar uma nova mudança na vida escolar do filho. Alvinho havia se adaptado à instituição e, de acordo com a mãe, sente falta dos colegas e professores.
“Quero voltar pelo menos para ele concluir o ano letivo, já que teve de abandonar os estudos de maneira abrupta, quando estava indo bem. Tem também a questão da dificuldade de adaptação. Lá ele já estava acostumado aos professores e aos colegas, dos quais diz sentir saudades. Depois a gente pensa o que fazer no ano que vem”, contou Priscila.
A mãe informou que já procurou a direção da unidade de ensino para saber se existe a possibilidade de reativação da bolsa integral. Caso o benefício não seja retomado, ela pretende utilizar parte dos recursos arrecadados para custear as mensalidades e permanecer em Cabo Frio até o encerramento do ano letivo.
A mobilização em torno da história da família ganhou força rapidamente. Segundo Priscila, aproximadamente R$ 85,5 mil foram arrecadados em pouco mais de 24 horas. Além das contribuições financeiras, mãe e filho receberam ofertas de auxílio vindas de diferentes regiões do Brasil e até do exterior. Com os recursos, a família passa a enxergar uma possibilidade concreta de deixar a situação de acolhimento e iniciar uma nova etapa. Antes de decidir os planos para 2027, porém, Priscila pretende concentrar os esforços no retorno a Cabo Frio e na retomada dos estudos de Alvinho, buscando recuperar parte da rotina interrompida ao longo deste ano.